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Ciro Gomes reafirma compromisso com o Rio Grande

 

O Pré-candidato do PPS à Presidência da República, Ciro Gomes visitou o estado durante três dias na semana passada. Esteve em Porto alegre, Canoas, Cruz Alta e Santa Maria. Antes de embarcar para São Paulo, quarta-feira, 9, onde cumpriria outros compromissos de sua agenda lotadíssima, Ciro concedeu entrevista à Apocalípiticos & Integrados, cuja íntegra você confere abaixo.

A&I - Gaúchos e cearenses estiveram juntos em vários momentos da história brasileira. Como político cearense qual a avaliação que o senhor faz do papel do Rio Grande do Sul na sua campanha?

 

CG - Olha, em primeiro lugar eu vejo o Rio Grande do Sul com importância estratégica porque o atual projeto que está em curso no país não dá o prestígio que o Rio Grande merece. Isto é pago por conta de uma crise enorme na agricultura gaúcha e uma crise enorme na base produtiva do Estado, que é contraditada pelo eixo Caxias do Sul-Porto Alegre que persegue uma alternativa positiva. Porém, na Metade Sul, há um sentimento muito forte de desagregação, discriminação e falta de perspectivas. Em segundo lugar, é uma tradição cara ao Brasil porque fizemos juntos a guerra do Paraguai e a conquista do Acre, que é um épico maravilhoso da história brasileira e fizemos juntos a repressão ao separatismo de 32 em São Paulo. A charqueada foi uma iniciativa pioneira de um cearense em Pelotas. Por isso, prá mim, é muito importante que o gaúcho me dê atenção. Me permita apresentar essa proposta e a biografia de um homem, experiente que quer construir uma alternativa para o Brasil. 
A&I - As candidaturas de Antônio Britto e Olívio Dutra revelam uma tendência muito forte pela bi-polarização. Para o senhor, esse fenômeno cria uma relação direta entre as candidaturas de Britto e Olívio com FHC e Lula, prejudicando sua campanha no Estado?

 

CG - Tradicionalmente, o gaúcho tem essa polarização, porém, a gente assiste uma certa dissonância no instantâneo transporte da eleição local para a disputa no âmbito federal. E, hoje, isto está se aprofundando. Eu sinto, caminhando por aqui, que essa tendência está se aprofundando entre os gaúchos que estão com Britto ou Olívio, mas não escondem o descontentamento com as perspectivas da candidatura de Lula e com o desenvolvimento do governo Fernando Henrique Cardoso. Acredito que há uma dinâmica na sociedade gaúcha que poderá optar por um ou outro candidato ao Piratini, tomando uma atitude de independência em relação ao Brasil. 
A&I - Como o senhor interpreta as recentes pesquisas do Ibope que lhe atribuem índices muito baixos?

 

CG - Interpreto com muita humildade e como um desafio. Eu não sou candidato à Presidência da República porque minha situação seja favorável, ao contrário: minha candidatura é uma atitude de rebeldia contra as estruturas que estão postas aí, contra a idéia de que as eleições de 98 sejam um mero prato requentado de 94 e que a sociedade perplexa tenha de optar entre o Plano Real representado por Fernando Henrique e pelo anti-Real representado por Lula e pela política errada do PT. A minha candidatura tem sentido pra todos os homens e mulheres que entendem na candidatura do Lula um equívoco, porque é preciso manter a estabilidade e uma variante de modelo social de desenvolvimento. 
A&I- Como está sua candidatura em nível nacional?

 

CG - Bem, as últimas pesquisas do Ibope me colocam em terceiro lugar com 10%. No Vox Populi a mesma coisa só que com 9%. E há uma pesquisa encomendada pela Confederação Nacional da Indústria, que me coloca também em terceira colocação, mas com 6%. 
A&I - Nesse momento, pequenos e médios produtores rurais apelam pela renegociação de suas dívidas e por uma nova política agrícola para o país. Quais suas propostas para o setor primário?

 

CG - A agricultura brasileira de pequeno e médio porte está sendo destruída no Brasil. Estamos, na verdade fazendo a reforma agrária ao inverso. Estamos criando todas as condições para que a vida do pequeno e médio agricultor se torne impossível. Isto se deve a três pontos de estrangulamento que nós vamos tentar resolver. Financiamento, você precisa dar no Brasil taxas de juros compatíveis com a competição internacional. Precisamos também de capacitação tecnológica. O pequeno agricultor não pode se aprimorar sozinho, ele precisa da parceria do governo e da iniciativa privada. Mas a comercialização é o grande problema. Produzir no Brasil é um ato de risco que não estimula o agricultor. A comercialização precisa ser feita claramente com subsídios que o governo deve bancar para garantir o preço e a remuneração devida ao produtor rural, garantindo preço mínimo aplicado a lógicas econômicas. Isto tudo está à disposição de qualquer governo com vontade política de resolver o problema da agricultura.
A&I - Como o senhor avalia os incentivos concedidos pelo governo Antônio Britto à GM, Ford e a outros investimentos que estão desembarcando no Rio Grande do Sul? 
CG - Eu entendo a aguda necessidade que cada um de nós tem de promover o emprego de nossa gente. E, hoje no Brasil, esse negócio se transformou numa coisa meio selvagem porque não há projeto nacional nem equilíbrio no desenvolvimento. Há privilégio aqui e ali, fazendo que dentro da federação se desenvolvam essas políticas perversas. Eu digo porque este investimento feito aqui é completamente peculiar. Recursos públicos serão usados para capitalizar o investimento com a expectativa de que vão criar empregos porque este tipo de indústria agrega muita força de trabalho. Só que não é mais assim porque caiu muito o índice de nacionalização e, hoje, essas indústrias operam automatizadas, gerando pouco emprego, comercializando no mundo inteiro componentes pré-montados. Existem formas no seu meio, dentro da sua realidade, para gerar fatores multiplicadores com efeitos muito melhores, que é, por exemplo, o modelo que pra-ticamos no Ceará. No Ceará, atuamos nos setores em que temos vantagem comparativa. Não queremos esse tipo de investimento, não alimentamos esse tipo de ilusão. Estudamos bastante, planejamos quais são as vantagens comparativas do Ceará. Podemos dizer, que em escala internacional nos adequamos como um pólo têxtil e um pólo mundial de calçados. Concentramos a produção em escala mundial atuando diretamente no crédito. Ao invés de fazer renúncia fiscal, nós concedemos crédito. O cidadão que se desloca prá lá, dentro dessa lógica, que aceita a política de desconcentração industrial, pode tomar emprestado. Depois de produzir e pagar os impostos, podem pegar 70% do valor dos tributos sem lógica bancária.
A&I- Qual o resultado dessa política? 
CG - O resultado é que até o governo Fernando Henrique se instalar para destruir a matriz macroeconômica do país, éramos o estado que mais crescia no Brasil com 8% ao ano. Na minha cidade, Sobral, quatro fábricas da Grendene, desse grande gaúcho, o Alexandre Grendene, geram 7 mil empregos para 138 mil habitantes. E, vai para 10 mil empregos em 1998, dentro do planejamento estratégico. 
A&I- Como o Mercosul se insere no seu plano de governo?

 

CG- Isto é absolutamente central no atual momento da economia brasileira porque com a formação dos megablocos, como o Nafta na América do Norte e na Europa com o Mercado Comum Europeu e os blocos regionais do Leste e Ásia, o Brasil precisa ter com seus parceiros regionais, Argentina, Uruguai e Paraguai e se, possível, com o Chile, a escala de nossa operação econômica e de nossa integração social que não pode ser feita isoladamente e sim num bloco que aumente nosso peso específico. É tão importante isto que o comércio nos últimos anos aumentou cinco vezes na região e responde por 15% das exportações brasileiras. Só para se ter uma idéia o maior importador do Brasil são os Estados Unidos, a maior potência econômica do planeta que compra 35% de nosso produto exportado. Então, diversificar produtos é uma questão estratégica dessa integração. Negociar em bloco com o Mercado Comum Europeu dá muito mais vantagem do que negociar isoladamente. Entretanto, é preciso dar um passo adiante porque no Brasil fizemos uma manobra inversa a que originou os megablocos. Ali, se construíram condições preliminares para uma unificação posterior. Aqui, como saímos atrasados, criamos primeiro a unificação e temos uma tarefa grave e inadiável de especializar setorialmente na região os órgãos colegiados para resolver impasses que estão se agravando e prejudicam nosso esforço de integração. Precisamos também equalizar a questão cambial, os sistemas previdenciários, tributários, que balizam a condição interna. Hoje, o produtor de arroz e de laticínios do Rio Grande do Sul enfrenta problemas porque o governo brasileiro não equaliza a situação. 
 
 
 
 

 

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